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O MENINO E A FLOR
O estacionamento estava deserto
quando me sentei para ler embaixo dos longos ramos de um velho carvalho.
E se não fosse razão suficiente para arruinar o dia, um garoto
ofegante se chegou, cansado de brincar. Ele parou na minha frente,
cabeça pendente, e disse cheio de alegria:
Querendo me ver livre do garoto com sua flor, fingi pálido sorriso e me
virei. Mas ao invés de recuar ele se sentou ao meu lado, levou a flor
ao nariz e declarou com estranha surpresa:
A flor à minha frente estava morta ou morrendo, nada de cores vibrantes
como laranja, amarelo ou vermelho, mas eu sabia que tinha que pegá-la,
ou ele jamais sairia de lá. Mas, ao invés de colocá-la na minha mão, ele a segurou no ar sem qualquer razão. Nessa hora notei, pela primeira vez, que o garoto era cego, que não não podia ver o que tinha nas mãos.
Ouvi minha voz sumir, lágrimas despontaram ao sol enquanto lhe
agradecia por escolher a melhor flor daquele jardim. E então voltou a brincar sem perceber o impacto que teve em meu dia. Me sentei e pus-me a pensar como ele conseguiu enxergar um homem auto-piedoso sob um velho carvalho.
Como ele sabia do meu sofrimento auto-indulgente? E por todos os momentos em que eu mesmo fui cego, agradeci por ver a beleza da vida e apreciei cada segundo que é só meu. E então levei aquela feia flor ao meu nariz e senti a fragrância de uma bela rosa, e sorri enquanto via aquele garoto, com outra flor em suas mãos, prestes a mudar a vida de um insuspeito senhor de idade.
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